terça-feira, 11 de agosto de 2009

Anti - Horário


Num fim de semana de, quero ficar em casa, refletir, descansar o corpo e a mente; assisti a um filme mega interessante. Um relógio bem grande fora construído para contar horas numa estação de trem inaugurada por volta de 1918, só que seu construtor o colocou para trabalhar ao contrário, portanto no sentido anti-horário, é, como se o tempo retrocedesse e não contasse para frente. Aquilo mexeu com meus já declarados devaneios daquele fim de semana. Foi então que perguntei ao meu marido, “se lhe fosse oferecido, agora, voltar 20 anos de sua vida, assim, apenas você, ficar mais jovem e começar tudo de novo, você e suas escolhas, o que faria...
Na verdade não foi assim que aconteceu no filme, mas me arremeti em pensamento nessa aventura, utópica, claro! Eh! É intrigante, até tentador, eu diria neh! Mas você meu caro leitor, cá “entre nós”, o quanto acertada está sua vida a ponto de aceitar uma proposta dessas! Todos temos encontros e desencontros, isso é certo, mas vamos lá! Pense em sua relação com seus familiares, no trabalho, saúde, enfim, em tudo que engloba sua vida e em tudo que já conquistou até agora; mesmo que não estivesse com “esse” tudo em cima, arriscaria tudo para ser jovem outra vez? No que isso implicaria! Agora quero que cada um de vocês se coloque nesse lugar, de 20 anos atrás ou sei lá, depende da idade a que se está. Seus amigos, sua história. Acho que é arriscar demais né? Não tem preço o convívio, o amor a que já se conquistou; cada um de nós tem suas nuances ou, diferenças, não se deve mudar ou discordar de nossa trajetória. Viva o aqui e o agora.
Ah! A resposta do meu marido?
“Não. Meu caminho está traçado ao lado dos que amo”.
Resposta certa!



sexta-feira, 3 de julho de 2009

Imensidão Azul


Poderia falar aqui, do mar, mas ele muda de cor, de humor. Ou então de olhos, mas também furta-cor, dependem do tempo, do calor.
Quero falar do céu, de planetas, astros e estrelas: ascendentes ou cadentes. Têm anéis, lindos cometas. Poeira cósmica. È o espaço sideral. Imenso, fenomenal.
Fica dia, fica noite, trás luz, trás escuridão. Sol, lua. Nuvens? Chuva? Está acima, intacto. Limpo, nos proporciona momentos de visões inesquecíveis.
E nesse infinito azul, Deus está, em algum lugar. Observando, vendo, sabendo, selecionando, escolhendo.
Abaixo da estratosfera, na atmosfera, a terra, um pontinho nesse mar sem fim, e nesse pontinho, um grãozinho de areia, nós. Seres humanos, tão pequenos, mas tão significantes para o observador.
É, mas também nesse cosmos de incontestável beleza tem um monstro, um monstro devorador: “O Buraco Negro”. Sugando, engolindo, consumindo e queimando tudo ao seu redor. O outro lado não se vê. Outra dimensão? Ordens do Criador? Mistério!
“A morte e o inferno foram jogados no lago de fogo. (Este lago é a segunda morte). Quem não tinha seu nome escrito no livro da vida foi jogado no lago de fogo”. Ap.-20:14.
Se “é” nele eu não sei, mas sabemos que serão consumidos assim, os transgressores.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Piu-Piu


Meu pai era um homem muito engraçado, gostava de fazer palhaçadas ou nos dar presentes diferentes, até divertidos. Fazia piada com tudo. Minha quinta irmã, Mara, era bem gordinha, ele a beliscava toda hora, e eu morria de vontade de participar da brincadeira, mas dizia, “beliscar osso não em jeito!” E ria, eu era bem magrinha.
Uma vez ele chegou em casa com um monte de pintinhos, filhotinho amarelinhos chocados pela galinha, era para criarmos no quintal. Costume de interior. Vendia-se na rua mesmo.
Foi uma festa, peguei um para mim. Ele era adorável, lindo, uma delicia de acariciar. Nos tornamos bons amigos. Seu nome? Piu-Piu.
Quando os que estavam no criadouro iam para a morte, eu chorava dizendo, “o meu Piu-Piu ninguém mata!”. E os coitadinhos não morriam, minha madrasta dizia, “tirem essa menina daqui, ela atrapalha”.
Em pouco tempo o pintinho virou franguinho, quando ia para a escola, ele me seguia rua afora, eu gritava, ordenava com dedinho esticado e dor no coração, “volte para casa”, mas o bichinho de penas não obedecia, só queria ficar perto de mim, a recíproca era verdadeira, mas tinha meu compromisso.
Obrigada a colocar-lhe coleira, comecei a trata-lo como cachorro, e ele se achava! Era o tal. Passeava pelas ruas puxado-o pela cordinha, hilário. Chamava atenção, todos paravam para assistir a cena e ver a dupla.
Realmente nos tornamos inseparáveis. Ficávamos juntos todo o meu tempo disponível.
Num sábado, visitava uma amiga pela manhã, ao chegar em casa para o almoço me deparei com a família já reunida à mesa. Pedi desculpas pelo atraso e fui dizendo, “que cheiro delicioso, estou morrendo de fome”, sentei e comi até me fartar.
Ainda estávamos a conversar à mesa quando minha madrasta disse, “gostou Deny?”, e eu, “estava ótimo, uma delícia mesmo”, e ela, “que bom que gostou, porque era o seu Piu-Piu”. “Meu Deus”, disse eu, “comi meu melhor amigo!”, fui ao banheiro e vomitei tudo, até o último pedaço, pois sentia a sensação de traição me remoendo por dentro. Foi muito difícil agüentar a culpa.
Mais tarde vim, a saber, que nossa situação financeira não estava boa, meu pai tinha sido demitido havia algum tempo e com a saúde debilitada não conseguira arrumar outro emprego, portanto estávamos sem dinheiro.
A façanha de meus pais me feriu, senti saudades do meu amiguinho, mas deixei pra lá ao refletir, “não tem problema, os frangos foram feitos para isso mesmo, não é? Para nos alimentar! Talvez um dia ganhe um cachorrinho”. Foi só para me consolar, que remédio!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Procura-se


Procura-se:

“Um olhar”
“Um sorriso”
“Um carinho, um gesto, um toque”.
“Uma alma, um coração”.
“Talvez eu os tenha perdido. Escondido. Deixado em algum lugar”. “Não sei!”.
“Procura-se desesperadamente, ajude-me a me encontrar. Só assim”,
“A mim, a felicidade pode voltar”.
Este é um pedido de alguém, escrito na coluna de achados e perdidos de um jornal.


domingo, 17 de maio de 2009

Marcas do Tempo


Por volta dos 25 anos começam aparecer. Cedo. Finas. Vão se instalando. Em paralelo. Linhas. Logo abaixo dos olhos, rugas. É nossa pele se deteriorando.
Vem devagar, uma aqui, outra ali. Dos dois lados, igualmente distribuídas, sem pedir licença, para o desespero de todos.
Rosto, pescoço, mãos e finalmente o resto do corpo. É a beleza e a juventude ficando para traz, dando lugar à maturidade, a sabedoria que só o tempo percorrido nos dá.
Quando jovens, somos fúteis, materialistas. Pensamos ser, ter a fonte. Mas elas vêm. Como se dissessem: “o relógio não para. O tempo passou”. “Não vou mais olhar no espelho”, muitos dizem. Não adianta está na cara, não no reflexo. Segui conosco, anda conosco. Lembrança.
Umas tentam driblar, esconder. Plástica. Também não adianta, é só pele, físico. Os anos não são tirados com bisturis.
Deixem-nas, que nos acompanhem. É “sinal” de vida. Estão em paralelo sim, mas acompanhando nossa história. Afinal começamos a envelhecer no dia em que nascemos. Não com elas. Apenas fazem parte das marcas do tempo vivido, explorado por nós. Quem não as tem é por que já se foi.
Vamos cumprir nossa missão e viver cada momento escrito por elas.

domingo, 3 de maio de 2009

O Guarda - Roupa


Doa-se. Era o que estava escrito nos classificados de um jornal. Doa-se um guarda-roupa. De madeira envernizada, quatro portas, espelho embutido. Vão até os cabides!
Ah! Mas não é um guarda-roupa comum! Vou explicar:
Quando nasci, minhas roupas e mantas, minha mãe guardava ali. Uma vez garoto, era bola, brinquedo, livros, uniforme. Tudo junto com as minhas histórias.
Na adolescência, roupas de festas, bailes. Camisas com marcas de batom. Primeiro beijo.
Ao olhar no espelho, com ele minha imagem se fundia. Companheiro.
Meu Deus, vejam só, quando me casei, de presente eu o ganhei. Mãe, são todas iguais.
O dividi com minha esposa, guardei as roupinhas do meu filhinho. Bonés, sapatinhos.
A família cresceu, mas ele estava ali, firme.
Foram anos de convivência amigável, de cumplicidade e segredos.
Podem ficar. Sei, é usado. Mas não vou mais precisar. Já tirei dele meu último terno.
“Texto escrito pelo doador antes de morrer”.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Fim do Mundo


Num céu límpido de profundidade infinita que azul nos transparece, o sol se põe atrás dos montes num amarelo de fogo contrastante ao fundo vermelho que seu reflexo espalha no horizonte. Some, finalizando sua ronda do lado de cá.
A terra é quem gira, claro. Mas enfim, assim nos parece. É! Como se nosso planeta fosse o centro. Egocentrismo terreno.
Esses movimentos me fascinam, mas na infância ainda mais, principalmente por um termo até hoje usado: “é o fim do mundo!” Esse lugar para mim era onde o sol se escondia. Eu achava que a terra era quadrada. Se fossemos até lá, veríamos o fim de tudo, como quando se olha da beira de um penhasco. Não se veria mais nada. Ui! Sentia até vertigem em pensar. No entanto era minha meta ir lá.
Ao entrar na escola, naquela época só se integrava às escolas aos 7 anos de idade, me decepcionei. Descobri que a terra era redonda, se seguíssemos a rota do sol, voltaríamos ao ponto de partida. Minha teoria evaporou. “E onde é o fim do mundo então?” Indagava. Os adultos respondiam: “não sei onde, nem quando”. “Ainda tem, quando”, insistia eu curiosa, e nada, ninguém sabia me responder.
Logo que aprendi ler escrever, pesquisei, procurei. E baseado em meus “estudos”, cheguei a uma conclusão: a terra nunca se exterminará, o sistema é perfeito. Mas o fim do mundo chegará para cada um de nós no momento em que morrermos. Assim, constatei que essa, era a verdadeira reposta para a minha insistente pergunta. O resto era só uma expressão utilizada para uma situação absurda.
Não importa, afinal, um dia terei o meu tão procurado “fim do mundo”, só não sei onde e nem quando.