terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um dia de Domingo


Sete horas da manhã. Meus pais me acordam e a todos os meus irmãos. É domingo, dia de piquenique, passeio, descontração. Família reunida, felicidade. Guloseimas, brinquedos, e todos no carro a caminho. Comemoração. Passei de ano, satisfação. Xadrez com meu pai, damas com minha mãe. Beijos, carinho, comida farta. Muita alegria, diversão. Roda gigante, carrinho bate-bate. Fomos ao parque. Quanta emoção. Pescaria, num pesqueiro, peixes reais. Um e outro, um a um devolviam, comoção, preservação. Amigos, gente nova, time de futebol. Gols, gritaria. Sem palavrão. Não se esqueçam, confraternização. Sol apino, descanso, hidratação. Troca de idéias. Meu pai, meu amigão. E então, troquei figurinhas com meus irmãos. Essa é minha família, meu orgulho. Que sensação! Que este dia não acabe não! Horas animadas. A tarde cai. Opa! O ônibus freia. Do subúrbio para a cidade. Zezinho desce, vai para o semáforo, vestido de palhaço, com “malabares” nas mãos. Verde, amarelo, vermelho. Era tudo ilusão. Um dia como “aquele” não é para mim não. Mas se pudesse escolher, ele seria o meu “dia de domingo”.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

PAI


Eu já escrevi sobre o “Dia dos Pais” algumas vezes. Já falei do meu pai, do pai do meu pai, do meu marido como pai, do pai de todo mundo, e também do Deus Pai. Agora vou falar só de “Pai”, do meu pai.
O meu pai se foi cedo, eu ainda era jovenzinha. Ele era engraçado, gostava de nos fazer rir, chorar também, não por querer; acho que ele não foi preparado para ser “Pai”!!! Ele era um menino “adulto”, sem estrutura para tanto. Mesmo assim, o meu “Pai”. Soltava rojão e fazia festa quando cada um de nós nascia, e já pensava no próximo! Ao todo, 12 filhos, noves fora, sobraram 8. Minha mãe, com leucemia, morreu aos 29 anos, um dia após o nascimento da última, eu tinha apenas 5. Ele pirou. Se trancou num quarto e chorou por 3 dias. Mas ainda assim ele era o meu “Pai”. “E agora?” Se perguntou. Casou-se 8 meses depois. Lutou pela vida tendo mais 2 filhos. Era seu modo de dizer: “estou vivo”. Não tinha como “evitar”; vicio, ou tempos de se provar masculinidade; não sei! Ele nem teve culpa, levou a sério “crescei-vos e multiplicai-vos”, é, sei, meio sem responsabilidade, mas ele era o meu “Pai”. Espirituoso, tinha trejeitos de imitador. Alimentava-nos, vestia-nos, embora não cuidava de si mesmo. A vida lhe era estranha, para mim, um peixe que pulou fora d’água. Gente! Ele era o meu “Pai!”
Ao não se cuidar, parecia que andava numa corda bamba, por franqueza ou despreparo, também não sei, ficou seriamente doente. Debilitado, cuidou de nós, todos, aos trancos e barrancos. Queria ardentemente o nosso bem, mas não tinha forças para reagir. Tivemos sim época de vacas gordas, no entanto elas emagreceram de tal forma que nem davam para o abate. Então, pouco antes dele ir-se fomos aprendendo a cuidar de nós mesmos. Ele era inteligente, esperto, mas um pouco de sua vontade foi-se com minha mãe. Ele a amava, e também amava a segunda esposa, na verdade tinha que amar mais a si mesmo para enfrentar uma vida, ou melhor, a vida, ela não dá trégua e acontece mesmo sem consentirmos. Mas ele era o meu “Pai”. Nunca me contou historinhas ou me colocou para dormir, pois sim, eram tantos! Mas descascava uma laranja como ninguém; chupava manga sentado no chão comigo! Era uma criança que esqueceu ou não foi avisado da importância de se trazer uma alma para a terra.
Meu “Pai” não foi meu herói, mas também não foi meu bandido, foi sim um homem, o homem que Deus usou para me dar vida, vida essa a qual agora tenho em abundância. Obrigada pai por ter tido tantos filhos e me dado a chance de viver, te agradeço por estar aqui hoje e poder falar ao mundo do homem cujo codinome era “Telinho”, o meu “Pai”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Nascer de Novo


Se só se vive uma vez, então porque sempre ouvimos: “É, pra você melhorar, só nascendo de novo”! É realmente curioso.
“Manuel é um menino levado, fulano de tal é um criminoso, bandido; aquele ali não presta”, e lá vem o mesmo ditado.
O espiritismo professa a fé em vidas passadas e futuras.
Pensando assim talvez se tenha chance de melhorar, mas infelizmente não é. Só se vive uma vez mesmo. Nada de voltar como sapo, cachorro, recomeçar o processo até se progredir. Isso é balela, devemos respeito a qualquer “religião” ou credo, mas tenho como provar minha teoria, Jesus explicou: “Eu afirmo ao senhor”, disse a Nicodemos, o fariseu, “que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo”. “Como pode um velho voltar ao ventre da mãe outra vez?” Pergunta o fariseu. Jesus responde: “É nascendo da água e do espírito. Batismo. O homem nasce fisicamente de pais humanos, mas espiritualmente do Espírito de Deus. Só assim verá a glória de Deus”.
Essa é uma metáfora das mais fundamentais para o entender do homem, muitas delas deveriam ser explicadas para que não se confunda o suco de uva com o vinho, ambos têm a mesma cor, mas distintos sabores e efeitos.
Procure, pesquise, para os ditos populares sempre terá um “livro” que irá te ajudar a entendê-los.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jabulani


Milhões de espectadores e telespectadores aguardam o início da partida. Ela, lá no centro, do campo e das atenções. Os jogadores, tanto de um como do outro time alongam, se esticam, dão pulinhos para se colocarem em plena forma para, então, começarem o festival de chutes e dribles com ela, a Jabulani. O som do apito e o esticar do braço do árbitro indica o começo do jogo.
Era a estréia da COPA do Mundo de 2010, África do Sul. O país cede é o primeiro a estufar a rede, e daí por diante, uma sucessão de jogos que é o delírio mundial. E nessa união de povos que é uma verdadeira celebração do esporte, essa em particular, teve um show à parte, ela própria, a Jabulani, a “Bola da vez”. De várias cores, 11 no total; com design africano, e nomes das equipes de cada jogo. Ficava num ponto estratégico na entrada dos jogadores, assim o juiz se apoderava dela e a levava ao centro de tudo.
Jabulani que significa literalmente celebrar, foi o que fez, ajudou muitos a celebrarem, uns rirem, outros chorarem. Mas não foi só de alegria ou tristeza não, uns até, pasmem, por desespero!!! Segundo eles, ela tem vontade própria, ou é sobrenatural, sei lá!!! Miravam de um lado, ela ia para o outro; para frente, ela subiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!!! E aí vem o efeito que denominei, “Jabulaaaaaaaaaaaaaaaniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”! Parecia que ia levantar vôo. E os atacantes entravam em pânico! E bola vai, bola vem, jogo vai, jogo vem. Não tinha acordo, não com ela, por teimosia ou capricho, ganhava quem melhor se dava com ela. Tinham que saber lidar, amaciar, fazer carinho talvez, se enfurecesse e davam um chutão, lá ia ela pelos ares, sem nem mesmo chegar perto do intuito, da direção desejada. Ah! Jabulani; acho que nunca te esqueceremos, será; o antes, e o depois de você, com certeza todos daremos nomes às suas sucessoras. O que na verdade foi fantástico, nessa Copa tiveram shows e shows; na arquibancada, as vuvuzelas com seu barulho ensurdecedor, danças, torcidas organizadas, parecia até desafio, uma mais bonita e caracterizada que a outra, verdadeiramente uma festa, mas nada tão falada quanto ela, a redondinha, dava o que falar! Deram-lhe apelidos, como patricinha, bola de feira, por alegarem que quem a fizera nunca havia jogado futebol, mas para nós espectadores e telespectadores; foi o máximo; nos divertimos e participamos dessa grande celebração e torcemos, até não podermos mais, pois nosso time saiuuuuuuuuuuu!!! Mas não importava, enxugamos as lágrimas e assistimos a tudo, até o final. O meu e o desejo do Brasil inteiro, tenho certeza, é que façamos, também, uma Copa em 2014 de tão grande proporção e alegria como esta.
Parabéns, África do Sul, vocês foram 10, parabéns “Jo’bulani” , seu nome e contornos dourados em homenagem na Joanesburgo apelidada “City of Gold” (cidade de ouro), palco da última partida.
A Espanha que com sua campanha levou a melhor, a Copa e de lambuja vai ser sempre lembrada pela primeira bola que foi uma verdadeira “Celebração”, a “Jabulani.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Melhor está por vir!


Uma menina, uma moça, uma mulher como num sonho se vê caminhando numa rua reluzente envolta de campos verdejantes com lírios que balouçavam suavemente. À sua volta uma multidão que como ela caminhava sem pressa; sem entender bem o que estava acontecendo, ela anda de costas, de frente, de lado admirando tudo e todos; olha para cima, olha para baixo, e também dos lados; pessoas brancas, negras, pardas; vermelhas ou amarelas, não importava, eram todos como irmãos. Ela andava e andava.
Num dado momento avistou um portal, enorme! Pedras preciosas o adornavam como jóias. Adentrando, ela o contemplava espantada com sua beleza e imponência, na sua ingenuidade queria parar, ver; era lindo! Mas tinha que continuar! E caminhou, e caminhou e então entendeu; as ruas eram de ouro! “Onde estou?” Pensou! O ar que era de uma pureza irresistível permitiu-a fluir. Borboletas que brilhavam como rubis, diamantes, esmeraldas pincelavam-na pousando em seus braços com carinho e agrado; beija flores furta cores, com seus maravilhosos vôos tremulavam suas asas beijavam-na qual uma flor, tão doce era. Encantada, ela ainda caminhava, seu andar era tão leve que saltitava, seus olhos alegres exprimiam seu sorriso tamanha era a felicidade.
Na caminhada viu que a estrada era longa, mas se sentia muito bem! Era tão bem que o próprio amor não explicaria! “Quem serão essas pessoas!” Pensou e logo perguntou: “para onde estamos indo?” No entanto, assustada cobriu a boca com as mãos, de seus lábios nem uma palavra, mas música fluía dali. Olhou para as pessoas ao seu redor e de novo falou: “há quanto tempo estamos aqui?” Todos a olharam encantados e distribuindo sorrisos, a música se manifestara outra vez como a um instrumento afinadíssimo; as palavras que pensara pronunciar eram só em sua mente, o som, de seu Espírito! O tempo já não importava; os dias não eram mais contados.
Na ansiedade de chegar à luz que via ao longe, saltitava como a um anjo quando quer voar. Lei e ordem eram palavras chaves, tudo a seu tempo. E realmente era tudo perfeito e feliz. E ela! Caminhava, caminhava! Era chegada sua hora! Seu semblante em harmonia e em paz com seu “corpo” regozijava de emoção. Pacificamente se colocou na primeira fila, um Ser de natureza brilhante pegou em suas mãos delicadamente e a conduziu até a luz que ofuscava seus olhos, e Ele a alumiou, e Dele resplandecia glória, então Ele a chamou; “Francisca, minha filhinha querida”, e ela “Papai”. Foi um longo abraço! Olhando-a de frente, Deus enxugou-lhe uma lágrima e disse: “não chores mais, preparei para ti uma morada; conduza-se aos louvores, logo será servido o banquete, você ceiará comigo e Eu com você!”
Ela então, cantarolando e esquentando a voz, tomou seu lugar de honra.
Foi assim, com júbilo e ao som de trombetas que nossa irmã entrou no céu!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ô Trem bão sô!


Eram mais ou menos 2 horas da madrugada, eu rolava de um lado para o outro sem conseguir dormir. De repente ouvi um barulho continuo; levantei minha cabeça para identificar; era um trem, dava para escutar ao longe seu desenrolar nos trilhos “tataca-tataca”, fiquei por uns instantes curtindo o som e junto com a locomotiva viajei.
Norte de Minas Gerais, uma cidade quente “pra danar”, eu, ao longo da minha infância e dos meus, igualmente longos, loiros cabelos ficava lá, no alto de uma colina a admirar os vagões cheios de minérios, pretos como o carvão, brilhantes como diamantes. E era esse mesmo o barulho, “tataca-tataca”, que não parava mais, dava até sono; acreditem, eram horas a correr pelos trilhos e ativar minha mente, “para onde vão”!
Aquela cidade era pequenina, mas agitada! Por lá passa o Rio Doce, rio grande em tamanho e importância para a região. As feiras de agropecuária e rodeios lotavam o município. Nos 10 anos que ali estive, vivi histórias interessantes, mas também de arrepiar os cabelos.
Conselheiro Pena é o nome dela, ali conheci a vida e seu oposto, a morte. Da minha mãe quando eu tinha apenas 5 anos; dali para frente, amigos pequenos, amigos adultos. Assassinatos, afogamentos; disputas por terras, acidentes. Lembram do Rio famoso que citei? Uma família inteira se foi lá, caíram da ponte com carro e tudo; um jovem que trazia alegria para a galerinha com balas e doces, que ironia se afogou, logo nele que deveria ser Doce como o nome. Mas ele sabia ser bom, dava bastante peixes, meu pai antes de adoecer e esquecer da vida e dos filhos nos levava às suas margens.
Um dia vi um tumulto na rua, corri até o acontecimento, estavam linchando um coitado, sei lá porque, mas acho que morreu, também! Aprendi a andar de bicicleta, dizem que nunca se esquece né? É verdade! Fui dama de honra do segundo casamento de meu pai, 8 meses depois que a primeira se foi!!! Hã, minha mãe por sinal!! Aceitei!!! Ah! Fui seqüestrada 2 vezes, a babá queria se casar com meu pai, pode!!! E depois por ciganos espanhóis. Me safei das duas.
Nos tempos áureos de meu pai, que era gerente das Casas Pernambucanas, “tempo bom, não volta mais”, deixa pra lá!!!! Tínhamos passe livre em tudo; cinema, clubes, festas, bom nehh!!! Eu disse!!! Só sei que estudei, aprendi francês, e já esqueci!!! Dancei muito. Dei até aula de dança de salão aos 7 anos, eu era craque!!!! Me apresentei em palcos e fui requisitada uma vez nos palcos do cinema, é que não participei de um concurso e minha ausência foi notada, fazer o quê!! Modéstia a parte, fiz muitas apresentações em festas em residências com a música “Por favorrr, pare! Agora! Senhor juiz, pare agoraaaa!” Da Vanderleia , lembram? Alguns se lembram que eu sei!!!!
Minas! Estado enorme que abriga o seu e muitos outros povos, povo bom, meio devagar admito, mas receptivo, de comidas boas e uma série de “causos”. Lá nasci e cresci, pelo menos até aprender que um trem entra até no olho da gente se deixarmos, não esquenta não é só dar uma assopradinha que ele se vai! Ô trem bão sô, que é ser mineiro, ocê não conheci não?!!!! Pois devia!!!!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Salvação


Senhor; salva minha alma!
Purifica meu ser,
Lava minhas mãos,
Embranqueça minhas vestes.
Senhor salva minha alma!
Fala comigo,
Escuta-me,
Toca-me,
Senhor salva minha alma!
Leva-me a Ti,
Antes,
Deixe-me aqui,
Até alcançar Seus objetivos,
Deixe-me aqui.
Senhor salva minha alma!
Mantenha-me a Seu lado,
Opera em mim Seus propósitos,
Molda-me como a um vaso,
Senhor salva minha alma!
Aparta-me de mim Seu inimigo,
Faz de mim Sua serva.
E de tudo que eu faça,
Não me deixes nunca perder a Sua salvação.
Senhor salva minha alma!